Exposição “Arquivo da Desobediência” chega à Universidade Católica Portuguesa com reflexão sobre arte e ação política

18 documentos fílmicos organizados em dois núcleos temáticos - Desobediência de Género e Comunidades Insurgentes e Colonialismo

A Escola das Artes da Universidade Católica Portuguesa apresenta, a partir de 29 de junho, na Galeria Fundação Amélia de Mello, em Lisboa, a exposição Arquivo da Desobediência (Disobedience Archive), um projeto curatorial de referência internacional concebido por Marco Scotini, que explora as relações entre práticas artísticas, movimentos sociais e ação política. Para esta edição, Marco Scotini convidou a artista luso-moçambicana Ângela Ferreira a contribuir para a articulação espacial e visual da exposição.

A apresentação na Galeria Fundação Amélia de Mello reúne uma seleção de dezoito documentos fílmicos organizados em dois núcleos temáticos - Desobediência de Género e Comunidades Insurgentes e Colonialismo. Cada apresentação do Arquivo da Desobediência é desenvolvida em diálogo com artistas cujas práticas se relacionam com as questões investigadas pelo projeto. A programação tem início às 17h00 com uma conversa entre o curador Marco Scotini e a artista Ângela Ferreira, no Auditório Cardeal Medeiros da Universidade Católica Portuguesa, em Lisboa, seguindo-se, às 18h30, a inauguração da exposição.

Iniciado em Berlim, em 2005, pelo curador e teórico Marco Scotini, o Arquivo da Desobediência é um arquivo audiovisual em permanente transformação e sem localização fixa, dedicado à relação entre prática artística e ação política. Ao longo de duas décadas, evoluiu de uma exposição itinerante de vídeos, materiais gráficos e documentos efémeros para uma plataforma dinâmica de investigação, documentação e reflexão crítica sobre formas de resistência, luta social e auto-organização coletiva.

Constituído por mais de uma centena de filmes documentais e obras de arte provenientes de diferentes geografias, o arquivo situa-se na intersecção entre arte e ativismo, reunindo testemunhos de movimentos de contestação política, desobediência civil e transformação social. Através de uma organização não linear e em constante reconfiguração, propõe uma leitura da história construída a partir da coexistência de múltiplas vozes, narrativas e temporalidades, contrariando modelos hierárquicos e lineares de interpretação histórica.

Funcionando como um dispositivo vivo e em permanente reorganização, o arquivo convida os visitantes a construir os seus próprios percursos de visualização e interpretação. À semelhança de uma biblioteca, oferece diferentes possibilidades de navegação pelos filmes, imagens e documentos, promovendo uma experiência participativa e aberta à pluralidade de leituras.

Ângela Ferreira, reconhecida internacionalmente pelo seu trabalho sobre os legados do colonialismo, a circulação de formas políticas e as relações entre arquitetura, memória e movimentos de libertação, propõe uma intervenção que permite revisitar o arquivo a partir de perspetivas de solidariedade transnacional e de histórias de emancipação.

O enquadramento conceptual da exposição inspira-se ainda na figura do painel agitacional (agitational billboard), historicamente utilizado por movimentos políticos como instrumento de comunicação, mobilização e educação coletiva. Reinterpretado no espaço expositivo, este dispositivo assume simultaneamente uma dimensão arquitetónica e simbólica, funcionando como plataforma para a circulação de vozes dissidentes, contra-narrativas e reivindicações coletivas.

A apresentação de Arquivo da Desobediência integra o programa público da edição de 2026 da Lisbon Summer School for the Study of Culture e da Porto Summer School on Art & Cinema, organizadas pela Escola das Artes da Universidade Católica Portuguesa e pelo Lisbon Consortium. Dedicadas ao tema da desobediência, as iniciativas reúnem, entre 29 de junho e 3 de julho, artistas, curadores, investigadores e cineastas de referência internacional para refletir sobre as relações entre arte, política e ação social.

O programa inclui ainda sessões de cinema na Cinemateca Portuguesa e na Culturgest, com a participação de convidados como o realizador Sergei Loznitsa, o curador Marco Scotini e a artista Ângela Ferreira.

 

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25-06-2026