Porque Biden não desiste?

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Porque Biden não desiste?
Quarta-feira, 17 de Julho de 2024 in Líder Online

Artigo de Opinião por Arménio Rego, Docente da Católica Porto Business School.

Múltiplas vozes têm apelado a Joe Biden para que abandone a corrida presidencial. Não é a primeira vez que se teme pelas suas alegadas falhas cognitivas e dificuldades em fazer jus à agenda híper exigente do líder de um dos países mais poderosos do planeta. Se Biden padece, ou não, de dificuldades cognitivas é matéria controversa. Há poucos meses, um procurador descreveu-o como “homem idoso com fraca memória”. Um neurocientista da Universidade da Califórnia reagiu indignado. Argumentou que falhas de memória são normais, e que Biden mantém intactas as capacidades cognitivas necessárias para exercer a presidência. Nomeou pessoas com a idade de Biden, ou até mais velhas, que continuam no exercício pleno da sua atividade: Harrison Ford, Martin Scorsese, Paul McCartney, Jane Fonda, e Warren Buffet. E acrescentou:

“A perceção púbica do estado cognitivo de uma pessoa é frequentemente determinada por fatores superficiais, tais como a presença física, a confiança, e a fluência verbal. Mas esses não são necessariamente relevantes para tomar decisões consequentes acerca do destino deste país. A memória é certamente relevante, mas outras caraterísticas, como o conhecimento de factos relevantes e a capacidade de regular emoções – que são relativamente estáveis e podem mesmo melhorar com a idade – têm provavelmente igual ou mesmo maior importância”.

Este é, pois, um domínio escorregadio, repleto de estereótipos e preconceitos idadistas. Mas, quaisquer que sejam as reais capacidades cognitivas de Biden, os receios parecem-me legítimos e pertinentes. Há riscos sérios de que o perfil de Biden facilite a vitória de Trump – um demagogo especialmente perigoso porque envolto numa narrativa messiânica que o toma como enviado de Deus. Um investigador escreveu recentemente numa revista académica que Trump e o movimento por ele corporizado são uma ameaça para a democracia no mundo. E acrescentou que é tempo de descrever o Trumpismo como uma forma de fascismo. 

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