Universidade Católica no Vaticano: professores juntam-se aos Cardeais Parolin e Tolentino Mendonça em reflexão internacional sobre educação e saúde mental
A Universidade Católica Portuguesa esteve em destaque no Encontro de Alto Nível OEI – Santa Sé, realizado a 29 de maio, no Vaticano, e que reuniu ministros e ministras da Educação de toda a Ibero-América, responsáveis institucionais e representantes da Santa Sé. Sob o tema “Mapas de Esperança para uma Agenda Educativa Regional: Saúde Mental, Tecnologias Digitais e Educação”, o encontro afirmou a educação como uma das principais respostas a um dos desafios mais urgentes das sociedades contemporâneas: a saúde mental.
Neste contexto de elevada relevância política e institucional, dois docentes da Universidade Católica Portuguesa (UCP) protagonizaram um momento central do programa - uma intervenção de natureza académica dirigida diretamente aos decisores políticos da região, funcionando como uma intervenção de enquadramento científico, ético e pedagógico para os ministros presentes.
Uma “aula” para decisores políticos internacionais
No primeiro painel do encontro, Alex Villas Boas, professor da Universidade Católica, apresentou a intervenção “Educação, Busca de Sentido e Mapas de Esperança”, defendendo a necessidade de recentrar a educação na formação integral da pessoa, numa articulação entre conhecimento, interioridade e responsabilidade ética
Por sua vez, Susana Costa Ramalho, também professora da UCP, abordou “Saúde Mental e Educação como problema estrutural e crescente”, evidenciando que a relação entre educação e saúde mental deve ser entendida como um eixo estruturante das políticas públicas e não como uma dimensão complementar.
Estas intervenções, apresentadas diretamente a ministros da Educação de toda a Ibero-América, ofereceram uma síntese rigorosa entre investigação académica, diagnóstico social e visão estratégica, contribuindo para fundamentar o diálogo político subsequente sobre currículo, pedagogia, formação docente e governação educativa.
Um enquadramento ético e humanista desde a Santa Sé
O encontro foi também marcado por fortes contributos da Santa Sé, que reforçaram a dimensão ética e humanista da reflexão educativa. Na sessão de abertura, o Cardeal José Tolentino de Mendonça sublinhou a importância de uma educação que vá além da dimensão técnica e instrumental, colocando a pessoa no centro e promovendo uma visão integral do desenvolvimento humano.
Este enquadramento converge com a visão que inspira o encontro, que propõe “desenhar novos mapas de esperança” a partir de uma educação capaz de integrar competências técnicas, emocionais, sociais e éticas, respondendo aos desafios do mundo digital e à crise de sentido contemporânea.
Já o Secretário de Estado do Vaticano, Cardeal Pietro Parolin, na sua conferência, destacou a urgência de uma ação coordenada entre educação e outras áreas sociais para responder ao crescimento dos problemas de saúde mental entre os jovens, sublinhando que este é um desafio que exige políticas públicas integradas e uma colaboração efetiva entre instituições.
Educação e saúde mental: um desafio estrutural
O encontro reforçou o consenso internacional de que a saúde mental constitui hoje um fenómeno estrutural e crescente, com impacto direto na aprendizagem, na permanência no sistema educativo e na coesão social.
A evidência científica apresentada indica que muitas perturbações de saúde mental têm início na infância e adolescência, sendo frequentemente agravadas por fatores como desigualdades sociais, pressão académica e exposição intensiva ao digital.
Neste cenário, a escola emerge como espaço privilegiado de intervenção, devendo integrar de forma sistemática competências socio emocionais, promover ambientes inclusivos e articular-se com famílias e comunidades.
Conhecimento académico ao serviço das políticas públicas
A intervenção dos docentes da Universidade Católica Portuguesa destacou o papel das universidades como ponte entre ciência, ética e decisão política. Ao levar investigação e reflexão diretamente ao espaço de debate entre ministros, a Universidade contribuiu para uma abordagem mais informada, integrada e humanista das políticas educativas.
O próprio desenho do encontro confirma esta visão, ao promover a cooperação entre governos, organizações internacionais e instituições académicas como base para respostas eficazes e sustentadas.
Uma agenda comum para o futuro
O encontro apontou para três eixos fundamentais de ação: cuidar, valorizando a saúde mental como condição essencial da aprendizagem; conectar, promovendo uma integração digital ética e inclusiva; e transformar, renovando a educação como motor de desenvolvimento humano e social.
Neste quadro, a participação da Universidade Católica Portuguesa ganha particular relevância, não apenas pelo contributo científico dos seus docentes, mas também pela sua capacidade de influenciar agendas internacionais e de afirmar uma visão de educação centrada na dignidade da pessoa e no bem comum.
O evento encerrou com uma carta de compromisso assinado entre os Estados Ibero-americanos de seguir a aprofundar o debate e desenvolver investigação e formas de intervenção neste campo.



