Bruna Bandeirinha: “O áudio e a imagem têm de conversar muito bem entre si para criar algo com pleno sentido”
Bruna Bandeirinha é licenciada em Som e Imagem e mestre em Som e Imagem - Design de Som pela Escola das Artes da Universidade Católica Portuguesa. Desde cedo interessada pelo universo artístico, reconhece que a escolha do curso se deveu à curiosidade “em saber como eram feitos os projetos audiovisuais”. Atualmente a trabalhar como freelancer, tem vindo a afirmar-se pela sua versatilidade em diversas funções técnicas e criativas, assumindo que se adapta às “necessidades de cada projeto”. Nesta entrevista, recorda o seu percurso académico e reflete sobre o seu processo criativo.
Como surgiu o seu interesse pela arte?
Sempre estive rodeada de música. Lembro-me de acordar ao fim-de-semana, quando era criança, e de ter música pela casa toda… Ou de estar com o meu avô e vê-lo a tocar harmónica, e de ele me fazer microfones para eu brincar. Também em pequenina, adorava criar histórias com os meus bonecos. E acredito que o meu interesse nasceu de tudo isso.
E como surge a escolha pela Licenciatura em Som e Imagem?
Para mim, foi uma escolha que fez muito sentido, pois sempre tive bastante interesse em saber como eram feitos os projetos audiovisuais. Na altura de escolher o curso, tinha desenvolvido um gosto pela edição de vídeos - e senti que este curso me ia dar a oportunidade de conhecer e desenvolver igualmente a área do som e da música.
“A identidade artística é algo mutável e adaptável às situações e fases da vida”
Que experiências destaca da licenciatura na Católica?
Foi uma boa experiência, com a qual consegui aprender conceitos e desenvolver competências que utilizo diariamente no meu trabalho. Todos os projetos foram importantes para crescer e explorar a criatividade. Mas houve um trabalho que me marcou no formato de longa-metragem – um projeto proposto pelo professor Henrique Manuel Pereira, sobre o Lar das Irmãzinhas dos Pobres, no Pinheiro Manso. Um Milagre Todos os Dias foi a minha primeira experiência com a criação e desenvolvimento de histórias e, através dele, conheci pessoas fantásticas com experiências de vida inspiradoras.
Prosseguiu para o Mestrado em Som e Imagem – Design de Som. Qual foi a inspiração para o projeto de final de mestrado - o EP “Meta”?
O objetivo com este EP foi criar algo que se aproximasse do cinema. Dessa forma, pensei em criar uma banda sonora para uma história que escrevi na licenciatura.
Este projeto reflete a sua identidade artística?
Sinto que essa identidade artística é algo mutável e adaptável às situações e fases da vida, mas este projeto ajudou-me a direcionar-me para aquilo que quero fazer na área da música.
Quais são os ingredientes essenciais para se contar uma boa história no audiovisual?
Paciência, atenção ao detalhe, compreensão, interesse na história que se quer contar e muita paixão.
“O áudio e a imagem têm de conversar muito bem entre si para criar algo com pleno sentido.”
Tem participado em vários projetos em diferentes funções, desde a captação e direção de som, à produção e à fotografia. Que valor é que esta versatilidade acrescenta ao seu trabalho?
Essa versatilidade vem muito das necessidades de cada projeto. A compreensão das diferentes áreas (e “artes”) é importante, devido à relação entre elas. E ter essa experiência facilita-me a comunicação e compreensão com outros profissionais quando estou inserida num projeto, e ajuda-me a pensar de uma forma integrada e não só singular, num projeto audiovisual. O áudio e a imagem têm de conversar muito bem entre si para criar algo com pleno sentido.
Quais são as suas principais influências artísticas?
Uma das minhas grandes inspirações é a Billie Eilish - e o seu irmão FINNEAS. Gosto muito da criatividade deles e da maneira como incluem pequenos detalhes que fazem toda a diferença nas suas músicas.
Que sonhos e ambições profissionais tem para o futuro?
Uma das minhas grandes ambições profissionais é passar do trabalho como freelancer à construção de uma agência criativa, onde consiga incluir novas áreas e trabalhar com outros profissionais. Que possamos formar uma comunidade próxima, unida e onde se valorize mais a colaboração.
